Medo | Bolsonaro, o fantasma da jiboia e a própria consciência aterrorizam Míriam Leitão! Veja...

Míriam Leitão foi torturada durante a ditadura militar. Criminosos a colocaram despida em quarto escuro com uma jiboia dentro. Com Bolsonaro, ele teme que isto ocorra de novo.
Míriam Leitão foi torturada durante a ditadura militar. Criminosos a colocaram despida em quarto escuro com uma jiboia dentro. Com Bolsonaro, ele teme que isto ocorra de novo.

Categoria: Política | A jornalista Míriam Leitão vira e mexe fala em veículos da Globo sobre os perigos de nova ditadura no Brasil, desta vez pelas mãos da família Bolsonaro e do vice Mourão, bem como de outros membros das Forças Armadas que compõem o governo federal. Leitão, no último dia 10 (terça-feira), voltou a discorrer sobre o assunto ao comentar um tuíte de Carlos Bolsonaro, que pregou volta de um regime autoritário para "acelerar mudanças no país. "É um risco que o Brasil não quer correr, disse a jornalista. Ela tem razões fortes e particulares para pensar assim. Continua, após o anúncio.

Nua em um quarto escuro com uma jiboia

Míriam Leitão tem fortes, aliás, fortíssimas razões para não querer nova ditadura no Brasil. Ela própria foi vítima de tortura no período militar (1964-1985). Em depoimento dado ao Observatório da Imprensa em 2014, Leitão falou a respeito de sua prisão e tortura em 1972, época em que o Brasil era comandado por generais e o herói de Bolsonaro e Mourão, o torturador Brilhante Ustra, agia bárbara e impunemente. Leia trechos do que ela relatou:

"Eles saíram e o homem de cabelo preto, que alguém chamou de Dr. Pablo, voltou trazendo uma cobra grande, assustadora, que ele botou no chão da sala, e antes que eu a visse direito apagaram a luz, saíram e me deixaram ali, sozinha com a cobra." Continua, após o anúncio.

"Não sei quanto tempo durou esta agonia. Foram horas. Eu não tinha noção de dia ou noite na sala escurecida pelo plástico preto. E eu ali, sozinha, nua. Só eu e a cobra. Eu e o medo. O medo era ainda maior porque não via nada, mas sabia que a cobra estava ali, por perto. Não sabia se estava se movendo, se estava parada. Eu não ouvia nada, não via nada. Não era possível nem chorar, poderia atrair a cobra."

Leitão diz ainda que: "Passei o resto da vida lembrando dessa sala de um quartel do Exército brasileiro." Continua, após o anúncio.

Pior tortura

Mas não é só Jair Bolsonaro e o fantasma da jiboia que povoam de forma aterrorizante o imaginário de Míriam Leitão. A consciência dessa jornalista deve também pesar muito quando ela lembra que trabalhou pelo impeachment da presidenta Dilma e pela prisão de Lula, o que possibilitou a eleição do fascista. Leitão sabe que suas atitudes em relação ao PT foram decisivas para que o fantasma da jiboia voltasse a rondar sua cabeça. E esta talvez seja a pior tortura que ora enfrenta.

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