Geraldo Azevedo diz que violão o livrou da tortura durante a ditadura militar!

Cultura | "Me deram um violão para tocar. Toquei e o torturador se sensibilizou e não me torturaram mais."

Imagem: youtube/reprodução
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BLOG DO POVO | Geraldo Azevedo é um dos artistas mais consagrados da Música Popular Brasileira. Pernambucano radicado no Rio de Janeiro há 50 anos, Geraldinho, como é carinhosamente chamado, há décadas encanta gerações em todo o Brasil. O violão é seu companheiro de estrada e, como declarou no Globo (8), o instrumento o livrou até da tortura em uma de suas passagens pelos porões da ditadura militar, 1964-1985. "Me deram um violão para tocar. Toquei e o torturador se sensibilizou e não me torturaram mais." Continua, após o anúncio.

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Diz Geraldinho, no Globo:

"Eu convivia com muitas pessoas. Havia umas reuniões no Teatro Glaucio Gil em que ia muita gente, o Glauber Rocha, Caetano... E me pediram para fazer um abaixo-assinado contra a censura. Passei 40 dias preso na Ilha das Flores, 20 numa solitária, fui muito torturado, tomei muita porrada. Durante as sessões, eu dizia que não tinha nada a ver com aquilo, que só fazia música e desenho. E me deram um violão para tocar. Toquei e o torturador se sensibilizou e não me torturaram mais. Fui solto por causa do violão."

As habilidades de Geraldo Azevedo com o violão, entretanto, não conseguiram livrá-lo depois, quando foi preso novamente. Os torturadores eram mais insensíveis... Ele diz:

"Esse lugar que a gente ficava era dentro de um frigorífico, tudo coberto de gelo, uma sirene tocando sem parar e um breu absoluto. Eu tinha a música "Caravanas" na novela "Gabriela Cravo e Canela", da Globo, e na hora da novela me botavam para cantar. Ficava encapuzado, nu e eles em volta "canta, canta". Aí começavam a bater e eu cantava, né? Chegava um mais atrevido e dizia "agora canta e dança". Eu ficava lá rodando feito um otário. Durante muito tempo tive vergonha disso, é muito humilhante. Os caras cheiravam cocaína pra bater na gente. Enfiavam estiletes embaixo da minha unha."

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